segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Pelo efeito do tempo














As palavras se vão
Ausência se afasta
Leve proteção
Recomeço

Fica ainda uma marca. Cicatriz

Fecha-se a ferida
Lateja no peito de forma suave
E delicadamente sufoca um pouco
Tempo

(Passe correndo e deixe de lado)

Coração
Teimoso por si só
Bate e combate
Luta bravamente
E costura sentimentos
Tecendo esconderijos
Que de longe cisma em bater pelo motivo errado

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Pedaços (Sinfonia)


Parece que foi ontem que vi seu sorriso
Você me dizendo o quanto se orgulhava de mim
E me mostrando onde nossos caminhos se cruzariam

Era como uma música
E agora tudo em volta fica quieto
Cada grito é mais mudo que o silêncio
E cada passo que dou me conduz a um novo erro

Eu não entendo o que está acontecendo
É como se eu já não pudesse mais alcançar o céu
E cada estrela que não consigo mais tocar
Se transformasse num sonho que foi interrompido

Não é mais tão bom quando eu deito nos seus braços ?
Eu achei que podia aguentar tudo
E o amor era como algo doce
Artificialmente doce

Dizer que não dá mais é como fazer chover
Os alicerces são inundados
Tristezas são lavadas e dores são regadas
Faz cresce a incerteza
E brota do peito um vazio do tamanho de um oceano

Por que a gente não podia ter previsto tudo isso ?
Não está sendo fácil disfarçar
É perigoso tentar e voltar no tempo
E abismos rasgam o meu presente

Não acho que fracassamos em momento algum
O final já está escrito há muito tempo
Fico aqui sentado recolhendo todos os pedaços
E deles construirei a estrada que me levará novamente a você

E essa foi a nossa sinfonia...

quarta-feira, 8 de julho de 2009

•๋● Barulho ●๋•


Não quero o silêncio vazio e imposto,
das falas retraídas pelo medo;
Não quero ver tristeza pelo rosto,
e os murmúrios em segredo.

Não quero meu grito abafado,
pela pressão sutil e violenta;
Da solidão, um abrigo improvisado,
E da razão uma ameaça que atormenta.

Eu quero sentimentos libertados;
Quero canto e quero riso;
Poder ver sonhos acatados;
Ter de berrar, se for preciso.

Não quero a calma sendo exposta,
Muita pergunta sem resposta;
Poder falar tudo o que sinto,
Poder sentir tudo o que falo,
Eu quero decidir quando me calo !

Não quero meus anseios sem exclamação;
Nem ver minha voz sair sem jeito;
Calem-se, não consigo ouvir direito !
Há um barulho estranho em peito,
e não parece ser meu coração.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

•๋● Disfarces ●๋•



Em qualquer hora, em qualquer lugar,
Mesmo se está fora, ou dentro do lar,
Ele é um, ele é quem desejar.

Na sua casa, acomodado,
Lá na escola, estudante,
Da empresa, empregado,
Cliente ao restaurante.

Para enfrentar, é de ser medroso,
Para encantar, sutil e amoroso,
E pra fila não pegar, só se for famoso.

Lá no trânsito, berra um bocado,
Pros amigos, galanteador,
Se quer um favor, todo educado,
Perante todos, que ator!

Ao fim do dia ele chega,
Cansado e todo dolorido,
Banhando se devaga,
E veste o pijama colorido.

Olha ele lá de frente do espelho se encarando.
E na gaveta suas mascaras vai guardando.

Não é bonito, nem charmoso,
É Indigente e folgado,
Muito menos forte ou poderoso,
Um belo de mal amado.

Muito ajuda quem não atrapalha,
Pouco torce, só reclama
Foge, não move uma palha,
Acho que nem se ama.

Ao tirar todo o disfarce,
Na sua cara não se vê expressão.
Imagem pálida num relance,
Sem sentimentos, nem emoção.

De tantas camadas que ele criou.
Dele mesmo nada restou.

Em seu rosto pálido sorrisos sofridos,
Um ser vazio, da cabeça até o pé,
Que sabe tudo e sabe ser todos
Menos ser o que ele é.

terça-feira, 30 de junho de 2009



"Há uma pedra em meus pensamentos...

... e um abismo em meu peito."

terça-feira, 23 de junho de 2009

•๋● Permitir ●๋•


Distante do que quero está o que possuo.
Meu olhar acalentado perambula,
E sob o campo da lógica se desfoca.
Distorce e sem permissão inquieta os sonhos.
Torna-se denso.
Gera dor e promulga palavras.

Diante de meu caminho desoriento-me,
E rabisco seu nome pelas paredes de minha loucura.
Busco o silêncio que me faz achar-te em mim.
Anestesio-me.

Cravejando dúvidas crio um elo entre o medo e certeza.
Coisas que não tem fim nem começo.
São Incoerentes.
Desprendidas de chão e de tempo.

Lapido personagens com minha insensatez.
Interpretando de forma impreterível o mais ridículo.
Roteiros com falas de parênteses vazios,
E com suas lacunas preenchidas de meus refrões.
Pobres rimas sentimentais,
De pura dor-de-cotovelo.

Minha fortaleza construo com pedras que te arremessei.
E meu dilúvio com lágrimas pertinazes.
Afogo e condeno sentimentos.
E, desprotegido, divago-me.

Demos permissão.
Acatei.
Deixei o barco da felicidade navegar ao porto das ilusões
Ignorando presságios de naufrágio.
Ainda sinto a brisa que exala do seu olhar lascivo,
E lembro-me dos sorrisos meus que você consentiu com os seus.

Culpar-te?
Impensável.
Ainda há muito mais o que admirar por de trás da vitrina que baliza nossos mundos.
Há muitas raízes para se arrancar antes de semear nosso jardim.
E para isso, paradoxalmente, temos de cavar.

Só preciso de um sopro seu,
Crendo que sentimentos são como nuvens:
Um dia se modificam e criam formas.
Tem tantas coisas que são maiores que nós mesmos.
Esse amor, inclusive.

sábado, 20 de junho de 2009

•๋● Bem-vindo.. de novo ! ●๋•


Seja bem-vindo. Bem-vindo ao meu espetáculo. O meu show que você nunca viu antes. Obrigado por aceitar o meu convite e, a partir de agora, você poderá participar do meu mundo. Sendo meu e não só meu. Meu para o seu. Venha, chegue. Acomode-se, aconchegue-se. Não perca os melhores lugares. Não deixe uma coluna tapar sua visão. Olhe atentamente. Absorda, interprete e sinta. Sinta-se em casa. Leia pelas entrelinhas. Enxergue o seu oculto nelas. Resista, mesmo que incomode. E se incomodar, critique, opine! Mas não seja mal educado. Você foi convidado a conhecer meus pensamentos. Minhas resenhas mais ocultas e me ajudará a tirar o pó depositado por cima dos sentimentos. Você será meu convidado de honra e ajudará a ergue os pilares para estrutura. Não criaremos pilares de sal nem areia. Criaremos vínculos fortes. Cativaremo-nos.

Até breve !


“Bem-Vindo ao maior show
O maior show da terra que você nunca viu antes
Deixe o conto-de-fadas invadir

O que há atrás das fumaças e dos vidros?
Faces pintadas, todo mundo usa uma máscara
Você está vendendo sua alma?
Bem, você será deixado para fora no frio

Isso são todos os céus azuis
Diversão e jogos até você cair
Então você é deixado sem nada em tudo
Você está montando em um meteoro
Com um sorriso em seu rosto
Mas logo o brilho se apaga


E você é colocado sozinho para fora
Querendo saber aonde todos foram
Sendo inútil, odiado
Quem estará em sua volta quando sua glória acabar?
Sendo inutilizado, eliminado
Feito para sorrir quando queria ficar bravo

Sempre agradecendo
Sempre trabalhando com a multidão
Sempre agradecendo a multidão
Sempre fazendo palhaçadas
Quem irá continuar?
Quem estará em volta quando as luzes se apagarem?”

Welcome – Christina Aguilera

quarta-feira, 17 de junho de 2009

•๋● Essencial ●๋•

Como esperar?
Como podemos esperar?
A vida transpor. Dias anoitecerem. Aquilo ser dito.
A próxima vez.
Aguardar que o abraço possa ser longo.
Ou prolongar o ponto final.
Uma promessa. Uma displicência.

Se tudo o que foi escrito já foi dito e o que resta é o arrepio e o som ecoando baixo dos murmúrios ditosos.

Esperar mais, esperar muito mais.
Adquirir um sentido pra tudo isso.
Estou sentando nesse lugar e sentindo um pouco de frio.
Vago, mais vago. Mais frio.
Estou sentado nesse lugar sentindo um pouco de frio.
Onde você está ?

O canto trincado do espelho mostra o reflexo distorcido.
O encanto de sentir seu perfume.
Seu rosto sonolento.
Sorrisos.
Forte emoção no peito. Agora.

Como podemos esperar se nós não acreditássemos em tudo isso ?

segunda-feira, 15 de junho de 2009

•๋● Buscando o caminho certo ●๋•


“Sonhar o sonho impossível,
Sofrer a angústia implacável,
Pisar onde os bravos não ousam,
Reparar o mal irreparável,
Amar um amor casto à distância,
Enfrentar o inimigo invencível,
Tentar quando as forças se esvaem,
Alcançar a estrela inatingível:
Essa é a minha busca”

Dom Quixote

A minha também...

domingo, 14 de junho de 2009

•๋● “Sed libera nos a malo. Amen” ●๋•


São poucas as vezes que me disponibilizo para falar sobre religião e afins. Acho chato, cansativo e desgastante. Fujo do assunto quando me provocam sobre. Respondo na lata. Falo que não sou, falo que acredito nisso e não gosto daquilo. Mas essa semana me senti um pouco sensibilizado, talvez surpreso (como achei que dificilmente ficaria, em se tratando deste assunto). Conversando com uma amiga, ela perguntou se eu não gostaria de ler um livro. Um desses do momento, sucesso de vendas e tudo mais. Aceitei. Já em casa vi que se tratava de um livro sobre Deus e fiz cara feia pensando em todos aqueles papos que cansei de escutar na igreja, quando era mais novo. Quanta bobagem! Julguei o livro sem ao menos começar a lê-lo (quantas vezes julgamos sem conhecer?). A poética da escrita foi apenas um aperitivo para a temática central: a trindade divina, ou seja, Deus. Um livro sobre Deus, desgarrado da religião. Excitante (não no sentido sexual, seria sacrilégio). O nome do livro é “A Cabana”.


"Não é da natureza do amor forçar um relacionamento,
mas é da natureza o amor abrir um caminho (...)
cada relacionamento entre duas pessoas é absolutamente único.
Por isso você não pode amar duas pessoas da mesma maneira.
Simplesmente não é possível.
Você ama cada pessoa de modo diferente por ela ser quem ela é
e pela especificidade do que ela recebe de você.
E quanto mais vocês se conhecem,
mais ricas são as cores desse relacionamento."


Lembro-me de quando era pequeno. Cresci em uma família cegamente católica, da qual o objetivo é seguir aquele padrão cinzento. Uma rotina divina. Missas aos finais de semana, catolicismo e crisma. O filhinho era um exemplo de como ser uma pessoa boa. Deus gosta de pessoas boas. Voltando um pouco no tempo, na época de catecismo, recordo muito bem o embaraço de um dos voluntários durante uma aula sobre a santa trindade. “Deus – dizia ele - assim como o espírito santo e Jesus – e jogando um olhar daqueles dos mágicos quando vão tirar um coelho da cartola – são três, mas são um só”. As cabeças das crianças giravam com imagens assustadoras de um ser, divino, e de três cabeças e eu ainda não havia conseguido entender porque o espírito santo era uma pomba. Quando indagado sobre como isso seria possível, dava para ver claramente que nem ele mesmo sabia do que se tratava. “Deixe-me explicar melhor: imaginem Deus, espírito santo e Cristo como três laranjas. Apesar de serem três, quando as esprememos, viram apenas um suco”. Era demais para mim. Com gelo e açúcar?



“- Isso significa que todas as estradas levam a você?
- De jeito nenhum –
sorriu Jesus enquanto estendia a mão para a porta da oficina
- A maioria das estradas não leva a lugar nenhum.
O que isso significa é que eu viajarei por qualquer estrada para encontrar vocês.”


Sei que minha insurreição religiosa não surgiu num processo instantâneo. Foi longo e amedrontado. Não entendia porque, mesmo a bíblia sendo gigante, eram sempre os mesmos trechos que lidos. Cheguei a fazer apostas comigo mesmo qual seria o sermão do dia. Deus lá de cima deveria estar preparando minha vaga no inferno. E quando mais sentia meu rabo queimando, mais distante me mantinha. E quanto mais lia sobre o assunto, mais incrédulo me mantinha. Tentar entender porque uma instituição no século XXI se fixa num perfil de milênio passado não me entrava em minha cabeça. Quem entende algo que, nos dias de hoje, proíbe o uso da camisinha ou condena a ciência por tentar corromper o divino ou que, estrategicamente, libera meia dúzia de perdões para acertos de conta passados, ou o amor entre duas pessoas do mesmo sexo ou.. ou.. ou ? Ou porque as descargas e corrimãos do Vaticano são de ouro enquanto Jesus dizia “larga tudo e vem comigo”? A gente perde o tesão com tudo isso.


"Vocês humanos, estão tão perdidos e estragados
que não conseguem compreender um relacionamento sem hierarquia.
Por isso acham que Deus se relaciona dentro de uma hierarquia,
tal como vocês. Mas não somos assim."


Temos medo daquilo que não entendemos. E se Deus iria me castigar por eu ter tantas dúvidas assim, seria porque ele não é só o amor que tanto o padre repetia e repetia e repetia?. E entre algo tão incerto e a vontade de liberdade, pulei fora. E hoje meu lema é mais Deus, menos religião.


"Crescer significa mudar e mudar envolve riscos,
uma passagem do conhecido para o desconhecido "


Enfim, falei tudo isso para poder voltar ao assunto do livro. Mais precisamente no instante que percebi sobre a temática do mesmo. O coloquei de lado algumas vezes, mas resolvi encará-lo. O livro conta a história de um homem, Mackenzie, da qual, após passar um final de semana em um acampamento, sua filha mais nossa, Missy, é seqüestrada e assassinada em uma cabana. Anos depois ele se depara com uma carta, que aparentemente se tratava de uma brincadeira de mau gosto, um convite para retornar até aquele local. Bilhete assinado por Deus. Mackenzie volta à cabana e se depara O Próprio, ou melhor, "Os Próprio". Não o Deus que temos em nossas mentes.. aquele senhor de barba e com um ar de superioridade (como aquele que castiga), mas sim com três pessoas: uma senhora negra, uma mulher com traços não ocidentais e com um homem não muito bonito de aparência. A trindade, ou seja, Ele.


" Se você for um pouco mais fundo,
poderíamos falar sobre a natureza da própria liberdade.
Será que liberdade significa que você tem permissão para fazer o que quer?
Ou poderíamos falar sobre tudo que limita sua liberdade.
A herança genética de sua família,
seu DNA específico, seu metabolismo,
as questões quânticas que acontecem num nível subatômico
onde só eu (DEUS) sou observadora sempre presente.
Existem as doenças de sua alma que o inibem e amarram,
as influências sociais externas,
os hábitos que criaram elos e caminhos sinápticos no seu cérebro.
E há os anúncios, as propagandas e os paradigmas.
Diante dessa confluência de inibidores multifacetados
- ela suspirou -, o que é de fato a liberdade?"


O que me chamou a atenção neste livro foi a forma com que ele me ajudou a quebrar alguns tabus que sempre mantive. É formado por diálogos simples. Leves de ler e densos n
o sentido. Mostra um Deus que é presente, que ama, que nos deu a liberdade que desejávamos e que não se apropria de nossos erros para objetivos particulares. Sinto-me um pouco mais ciente das minhas decisões e feliz por ter me desvinculado de algo tão instituicional e acreditado muito mais naquele desejo interno meu. Sentimento, este, presente no livro e, apesar de ter me deixado pensativo, acho que ele sempre esteve comigo.

sábado, 13 de junho de 2009

•๋● O Início ●๋•


P
erdi as contas de quantas vezes tentei criar este blog e por fim desistia. É um processo que envolve, dentro tudo, coragem e entrega. Sentado aqui, agora, lembro-me dos meus tempos de adolescência onde mantinha um blog atualizado fielmente todo dia. Era um sucesso ! Não para os outros, mas para mim, onde buscava apenas "botar para fora" o que me engasgava. Acredito que o objetivo é o mesmo ainda hoje. O que mudou foi o cenário e a cabeça. Não que ache tão maduro, pelo contrário. Tenho muito a aprender. É um processo longo. Tranquilo para alguns, sofrível demais para os outros. Amadurecer equivale aprender com os erros. Sei que muita coisa ainda está errada e quanto eu mais tento acertar, mais erro. Nesse ponto, entre querer fazer o melhor e o menos indolor possível, é que eu apanho mais. Este blog vai ter um único objetivo para mim: ajudar-me a crescer, pensar, aprender. Tudo para que eu possa me tornar uma pessoa melhor. Onde isso vai me levar ? Veremos.


"Eu sento e espero
Um anjo contempla meu destino?
E eles conhecem o lugares onde nós vamos quando partirmos?
Pois me foi dito que a salvação estendem as asas deles
Então, quando eu estiver deitado na minha cama,
Pensamentos correndo pela minha cabeça,
E eu sinto que o amor está morto,
Estou amando anjos em vez disso...

E através disso tudo me oferecem proteção,
Muito amor e afeição,
Esteja eu certo ou errado.
E debaixo da cachoeira,
Onde quer que isso possa me levar,
Eu sei que a vida não me derrubará.
Quando eu vier chamar,
Ela não me abandonará.
Estou amando anjos em vez disso...

Quando estou me sentindo fraco
E minha dor caminha por uma rua de mão única,
Eu olho para cima
E sei que serei sempre abençoado com amor.
E conforme o sentimento cresce
Ela aspira carne nos meus ossos.
E quando o amor estiver morto,
Estou amando anjos em vez disso..."


Robbie Williams - Angel